1. Consequências…

    Verdade ou conseqüência?

    Escolhas fragmentadas nas mãos de pesadas baixas na batalha travada do tempo, admirando aqueles com o poder nas mãos suadas do vento que levam sem antes perguntar, ambos os lados da moeda decidem não importando a intenção das cartas embaralhadas.

    O senhor dizia com sabias palavras, senhor corajoso aquele amante das conseqüências. A mulher que ao sentir-se velha olha para o passado, para todos os momentos, pesando e repensando sua trajetória, lembrando daquele homem com alma de menino que nunca via à hora do seu amadurecimento chegar, talvez, se a conversa dos dois tivesse se prolongado o fim da história tivesse  sido  outro, mas não sabemos, sorte nossa não saber, conseqüências trágicas são destinadas aqueles que vislumbram além do horizonte, amaldiçoada são as almas dos oráculos que podem admitir ter vivido uma vida mais regrada.

    Experiências testadas e reprovadas pelo espaço das decisões tomadas pelo mais alto escalão da consciência exaltada, pela lembrança de fatos e atos, sentindo sua alma esvaecer por algo que nem existiu, a memória em termos nostálgicos, sem poder de persuadir novos espíritos engajados na cobrança de mudança. Inerente é e será, a cada tentativa, a concepção de tempo posta às tentativas desmedidas banhadas na desilusão das almas reclusas e confusas, existe por admitir falhas na dor das conseqüências da jovem imaturidade, interpretada por velhos hábitos de objetivos, o alcance em proporções distintas de uma solidão sufocante, aos olhos de quem passa, assiste e não se importa, batendo em retirada as tropas ressentidas ou abatidas, e aqueles que morreram em batalha encontram-se lado a lado em reunião, decidindo sobre o que ele sempre soube.

    Não importa mais, e mesmo se importasse você não saberia por onde começar, de ponta a ponta ou de lado a lado? Correndo em círculos o destino chega, inerte ao vértice das mágoas, vozes sempre dizem mais e mais, a cada instante que se movimentam. Fumando seu cigarro e escrevendo histórias, tão equivocadas quanto a sua triste companheira, que sussurra mais do que os presentes ele pensa ver, a diferença é que a voz dela ecoa com mais precisão aos nossos ouvidos, talvez a nostalgia venha dessa voz, mas atualmente ele nem acredita mais nessa história, esse ouvinte ora cego, ora sonolento, passa essa imagem deficiente e eficiente, por achar que dela se protege e nela constrói barreiras intransponíveis ao leitor indignado.

    O papel é agora do ausente doutor destinado a trazer-lhe a noticia ruim, o quadro se agravou em pouco tempo, restando um curto fôlego para o espírito desbravador da sua mente impaciente, olhando para a ilusão da imagem do seu grande esplendor, sua grande obra, lamenta ser só uma visão e não a sensação, pois seria o momento exato de tocá-la, talvez até reanimá-la, tudo que restará é o peso do quarto e a sensação sufocante e singular que a multidão do quarto  irá proporcionar. 

     
  2. Desumanizar-se na cobiça de ser

    Cavaleiro alado amargurado intruso confuso excluso leve-te com sua legião, das entranhas desse reino, guerreiro és esquecendo a sobreposição das moradas, com ferimentos reluzentes em sua armadura trate-te e te trate, suma-te dessa fortaleza expirada, inspirada no abandono, condecorado voe e esqueça á que serve.

    Não tenha vergonha de ser você três ou mais do mesmo. Porque a multiplicidade é inerente a nossa sala de estar com diversas cortinas, às vezes com pouca ou muita iluminação, o que importa mesmo não é nem a luz ou o espaço, e sim a imensidão das fasces, e não, não está escrito errado, talvez leia-se errado, para não despertar certos sentidos.

    Tentativas, validas e às vezes suficientes, ser bom é impossível por essência, as tentativas são fragmentos dos reparos que fazemos pelo caminho, o mal de natureza para a natureza do etéreo histérico, suprimido pela consciência perturbada do ser seu ser.

    cansei da suposição dos pressupostos postos em fileira de contradições para adentrar em um lugar transformado, traumatizado no abstrato lar do conto dos pontos, ligam-se e desligam-se na velocidade do estalar de dedos que os piscares e pesares perdem da essência e abrigam-se na consciência, que em todas aquelas vezes esvaziaram ao raso do vaso da limitação, buscando apenas a superação.

    A variável da equação do ser em sim, é a conjuntura de fatores que levam a descaracterização da espécie.

    Em outros planos encontramo-nos fragmentados

    Perdidos em mundos compostos e dispostos a ludibriar desilusão, magoas e aspas foram abertas, feridas entrepostas as tochas de sangue ardente ao vento do tempo tenso, nublado arriscado , acorrentando sonhos e tendências explícitas em cadernos literários abstratos, da forma à porta saindo escondido, entre e tente, surpresa posta a mesa, jantares suicidas de uma mente esquecida.

    O ser humano é um intruso na festa da Natureza…

     
  3. Uma crítica atrasada, mas necessária de Tropa de Elite 2

    No Primeiro Tropa de Elite o BOPE e a “Policia Convencional” disputavam espaço ideológico de forças renovadoras e tradicionais dentro da Policia Militar e o BOPE aparecia para complementar e resolver os problemas surgidos diante da  insuficiência da Policia comum no enfrentamento ao crime organizado, o BOPE muitas vezes glamourizado na sua atuação e rituais, não pelo filme em si, mas pela posterior identificação da sociedade que no desenrolar da película viu argumentos fortes para a esperança travestida em preto e caveira que o BOPE oferecia, uma esperança violenta, chocante, mas não menos necessária em tempos de guerra.  No segundo filme o que nos aparece logo de cara é a critica mais polarizada, porem paradoxal, pois se expressa em convergências e divergências constantes à medida que o filme acontece, em torno de ideologias políticas mais  explicitas agora, o segundo filme parte das criticas ao primeiro filme á própria imagem do Capitão Nascimento e ao diretor Jose Padilha denominados Fascistas, conceito que generaliza e anacronisa as questões do primeiro  filme, no segundo o próprio Padilha de maneira irônica lida com essa situação em um duelo entre os personagens muito bem construídos de Fraga defensor dos direitos humanos (Irandhir Santos) e o Tenente  Coronel Nascimento (Wagner Moura), um duelo que se entrecruza mas nunca se esclarece em vias de resolução.  O segundo filme serve de complemento e ao mesmo tempo para desconstruir a mística do BOPE mostrando  que uma Tropa que  se distanciava ideologicamente no seio da instituição da Polícia Militar e cada vez mais essa distancia era perceptível, já não é mais, com duas cenas simbólicas essa imagem é completamente desconstruída e os dois se encontram agora no mesmo barco, homens de preto e azul se assemelham mais do que nunca, porque agora o policial do BOPE é corruptível e sua morte diferente do primeiro filme acontece de forma banal , agora no enterro a bandeira do BOPE não está mais por cima da bandeira nacional, mas sim o contrario mostrando como o BOPE foi também esmagado pela situação atual de nossa sociedade e sistema. O problema agora, como sempre foi, é de segurança pública e de educação, conscientização e intelectual, sim, intelectual, uma coisa que o próprio Nascimento no primeiro filme tratava de pormenorizar, mas convenhamos: “Nascimento”?  Essa é uma palavra chave que tanto nomeia quanto define o Capitão no primeiro filme e como todo recém nascido que aprende coisas novas quando se desvela uma dinâmica totalmente nova em sua recente caminhada, ele aprende a falar, agora compreendendo o dom da palavra, agora sua luta acontecerá em outras vias de ação e reação, porque dentro do sistema até o próprio Nascimento precisará de novas ferramentas para os novos embates em escalas superiores do Sistema.

     
  4. De olhos bem fechados ou abertos?

    Foram quatro, poderiam ter sido um, dois, foram os dois, zero, e um, aquele um, de quatro para zero, considero as cem ou mais vezes que o todo um zerou minha consciência e a encheu de casas decimais.

    Parecia com sabor. Ela veio do futuro com o gosto da morte nos lábios, Embriagada tentou e dissecando 150 ou mais dias de sonhos em doses de veneno diário para afastar da noite qualquer pensamento, e em circunstâncias normais você sentiria essa sensação, estranho não sentir e até sentir, pois ainda dá para ouvir o lamento dos estranhos em seu ouvido.

    A Feiticeira em noites de sono profundo, no momento propicio e indefinido, donde não circula a matéria, com ritos e mitos leva-te a um lugar que desconhece, acordado ainda não existe, tente procurar desperto, “salida” á tempestade, do fogo em chamas revela-se, em sua vestimenta branca tocada pela fumaça lastima, proferindo transe, o vento faz sua parte para a realidade dubitante e quando abrir os olhos lembre-se da imensidão daquele olhar, respire.

    Interrogando o assassino do sonho eu convoco uma audiência com vossa “Agnosia”, preparo o réu alienado, júri alucinado, administro psicotrópicos sentimentais com posologia duvidosa, distraio a multidão apnéica e controlo a “Belle Indifférence” real do ser confuso, o resultado pode ser tão eufórico, que a contestação sistemática ira confundi-los.

    Níveis de consciência extensos e confusos, na luta expressa, ideais e reais predispostos á convicção da incongruência, a forma que desejamos é tão turva convertidas em ação, quanto mais lá á cá, singularidade consciente pode nem sempre ser plural de real.

    Sentimental banalização da crença no ser retido que já se esvaeceu na tímida concordância dos sentidos climáticos da consciência, no profundo desastre das aparências, dúctil essência dos sobrepostos corpos, insipiente sensações nas aclives quedas adversas inferidas.

    Doce por doce, prefiro o amargo que traz a aceitação da sua real sensação, no amargo extraímos o leal doce, pode ou não transformar-se, não nega sua essência, traz no rotulo seu gosto.